Sinhô Mariano

No final do século XIX veio residir em Santa Maria, Mariano da Cunha Júnior, tio Sinhô Mariano casado com Irondina Djanira da Cunha, neta do capitão São Roque e vó Aninha. Sinhô Mariano era materialista, ambicioso, temperamental e “não levava desaforo para casa”. Tinha tentado a sorte como contador prático nas caieiras de Paineiras, comerciante, além de outras atividades. Todas sem grande êxito. Perdera tudo. A única esperança era reiniciar a vida na fazenda dos avós de sua mulher. Foram recebidos em festa e construiu nos fundos do casarão uma casa semelhante a dos demais moradores. Pretendiam colocar em todos os filhos nomes de madeira. O primeiro se chamou Cedro (Ranulfo) e a segunda Muliana (Mica), em contraste com o costume religioso da época de se colocar nomes de santos nos filhos.

Ao se instalar em Santa Maria fenômenos inusitados e incompreendidos na época passaram a surgir em todos os casebres da comunidade rural. Portas e janelas embora trancadas abriam-se e fechavam-se sozinhas à noite. Ouviam-se pedradas nos telhados e utensílios domésticos flutuavam pela casa. Pessoas ouviam vozes e outras tinham a impressão de ter a casa mal-assombrada, aparecendo-lhes fantasmas. Em uma das casas as roupas limpas das pessoas que lá visitavam ficavam marcadas com mãos sujas como se tivessem recebido batidas com mãos sujas. Aquele povo humilde num primeiro momento acreditava que o diabo e seus assessores tinham tomado conta de Santa Maria por algum castigo que não identificavam. Os fatos aconteciam em todas as casas.

Tio Sinhô Mariano tinha trabalhado como contador prático com Frederico Peiró em Paineiras, hoje Peirópolis, em homenagem a ele. Na ocasião presenciou a conversão de Frederico Peiró ao espiritismo e viu seu entusiasmo pela nova doutrina. Diante dos fenômenos mediúnicos que surgiam em Santa Maria, procurou imediatamente por Peiró que o acompanhou de volta e ouviram juntos todos os relatos da população local presenciando vários fenômenos de efeitos físicos.

O próprio Peiró não soube explicar a razão da ocorrência de fenômenos em todas as casas e sugeriu que se fizessem reuniões entre os moradores para que as entidades espirituais pudessem explicar quais seriam as atribuições a serem desenvolvidas nesta comunidade, pois em vez de ser coisa do diabo, poderia ser coisa de Deus, já que é raro ocorrer o afloramento espontâneo e em massa como ocorrido. Com a concordância de todos e diante dos entusiasmos revelados Sinhô Mariano passou a liderar o movimento que visava inicialmente à descoberta das causas de tais fenômenos.

Maleta Sinhô Mariano Começou assim uma transformação radical na visão das coisas pelo Sinhô Mariano. As reuniões se sucediam nas casas dos próprios camponeses sempre sob a orientação de entidades comunicantes. O fato começou a provocar escândalos nas regiões circunvizinhas a Santa Maria, a comunidade passou a ser considerada como dominada pelo diabo. Por outro lado, capitão São Roque inconformado, chamou Sinhô Mariano lhe determinando interrupção das atividades ou seria expulso do local. Vovó Aninha comunicara a seu marido que se Irondina fosse embora por motivos religiosos, ela iria também. Neste clima tenso, Sinhô Mariano deixou sua casinha no fundo do casarão e rapidamente construiu outro casebre próximo ao córrego Ibituruna do lado esquerdo da estrada de Sacramento. Os trabalhos continuaram e em 28/08/1900 fundou-se oficialmente o Centro Espírita Fé e Amor funcionando durante muitos anos nas casas dos camponeses principalmente na casa de Honorato Ferreira da Cunha e sua mulher Maria Rosa de São Roque (vó Micota). Nesta ocasião, São Roque adoece com uma “ferida brava” na perna, não conseguindo recursos terapêuticos na região, sendo-lhe indicado remoção para um grande centro (São Paulo ou Rio de Janeiro). Opta por procurar Sinhô Mariano, através de quem obtém a cura. Diante disto, doa terras para que sua neta Irondina e seu marido Sinhô Mariano construam a casa onde viveram próximo ao atual prédio do Centro Espírita.

O Centro Espírita Fé e Amor construído por volta de 1920 por doação de Jovino Gonçalves de Araújo, filho caçula do capitão São Roque, seu sucessor no casarão e casado com a sobrinha Leopoldina Geovana de Araújo, filha de Honorato Ferreira da Cunha e vó Micota. Lembrando que até esta data as reuniões ocorriam na casa dos camponeses e a sede funcionava na casa do Sinhô Mariano. As atividades espíritas de Santa Maria, nos anos seguintes, provocaram espanto, críticas e veementes protestos dos habitantes de Sacramento, Conquista e demais regiões circunvizinhas. Além de se tornar o pólo mediúnico e o berço da doutrina espírita no Brasil central. Os fatos inusitados que ocorriam ao lado da cura das doenças na época incuráveis, provocaram polêmicas e críticas cada vez mais acentuadas.

(...) Nesta época Eurípedes Barsanulfo era o maior intelectual da região e um exemplo de cidadão digno, honrado e religioso. o "Tio Sinhô", com quem Eurípedes freqüentemente discutia os diferentes pontos de vista religiosos. Até então, Eurípedes era católico e "Tio Sinhô", espírita. E não podendo responder à todas as indagações de Eurípedes, pois Tio Sinhô era um homem rude do campo, este lhe apresenta um livro que poderia explicar a Eurípedes o que ele não conseguia fazer. Era um exemplar do Livro "Depois da Morte", que Eurípedes devora a leitura em uma noite e confessava-se empolgado com a lógica convincente do autor que é Léon Denis. Desde então, Eurípedes passa também a se interessar pelo estudo da nova doutrina e a participar das sessões mediúnicas na Fazenda de Santa Maria, quando, então, em uma destas, Eurípedes roga mentalmente o esclarecimento para suas dúvidas acerca das bem aventuranças, e que estas pudessem ser esclarecidas pelo Apóstolo João, o Evangelista. Assim, então, esta resposta acontece através de um médium semi-analfabeto o Aristides, numa linguagem sublime, onde finalmente Eurípedes compreendia, o mais perfeito código de consolações. O tio de Eurípedes, Sinhô Mariano, não só foi o grande líder a alavancar o despertar do sobrinho querido, mas durante todo o trabalho fecundo de Eurípedes forneceu a retaguarda mediúnica e o amparo necessário à realização da gigantesca obra intelectual, moral, religiosa, social e política liderada pelo professor. Santa Maria não é apenas o berço da doutrina espírita. Mas também, à companheira (...) Eurípedes Barsanulfo até quando se sentiu abandonado pelos alunos, professores, pais, amigos e familiares, ao se tornar espírita teve no tio Sinhô Mariano e demais confrades de Santa Maria o conforto, o apoio e a retaguarda para prosseguir em sua brilhante caminhada. 

No Centro Espírita Fé e Amor

Através desta mesinha telegráfica, o médium recebia as palavras cifradas por meio de leves pancadas do móvel. Tio Sinhô era visto por todos como aquele homem bondoso que não media sacrifícios em socorrer e confortar sofredores e desorientados ,com todo o Amor e Carinho.

Saía a cavalo ou a pé para atender doentes ,obsediados ,desajustados ,curando enfermos ,até fazendo partos, levando em fim,em nome de JESUS ,o auxílio bendito a toda parte ,inclusive a casebres antes habitados pela dor e a miséria.

Mariano da Cunha Júnior (Sinhô Mariano) era uma pessoa muito procurada para o tratamento de criaturas que se encontravam sofrendo não só problemas de saúde física ,mas também de perturbações espirituais e mesmo carentes de aconselhamento.

Trabalho e Renovação

"É preciso servir sempre. É necessário perdoar a todo instante. É preciso caminhar, mas é necessário sorrir. É preciso orar, mas é necessário meditação. É preciso ler, mas é necessário estudar. É preciso ser espírita, mas necessário é ser cristão. Em qualquer templo, em qualquer lugar, Jesus espera de nós o melhor que possa fazer através de nossa boa vontade. Doar o mais que pudermos, sem exigir nada, e corrigirmo-nos imediatamente, para que possamos ser o espelho fiel do bom cristão."

Mariano da Cunha Junior 

(mensagem recebida pelo médium Celso Almeida Afonso)


Fonte: (https://www.recantosinhomariano.org.br)

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